Blog do Tas

Escrevi na Folha sobre o falso dilema: jornalismo x redes sociais

12 de agosto de 2013, 12:11

Escrito por marcelotas

Reproduzo abaixo trecho do artigo que escrevi para a Folha de São Paulo, publicado na página de Opinião (A3) no dia 11/08/2013. Comentários são bem-vindos!

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O Facebook e a máquina de escrever

 

Minha primeira vez na Redação da Folha coincidiu com a chegada dos computadores.

Até então, o ambiente era dominado pelas máquinas de escrever e pela fumaça dos cigarros.

Fui testemunha ocular da rejeição instantânea de alguns colegas à novidade tecnológica.

Uns profetizavam que a chegada das “máquinas silenciosas com monitores parecidos com os de TV” era um sinal do fim do jornalismo. Outros se agarravam nostálgicos às suas Olivettis como náufragos diante de uma boia no convés do Titanic.

Temo que o atual debate “jornalismo convencional x redes sociais”, da forma como tem sido conduzido nesta Folha, repete o falso dilema “computador x máquina de escrever”. A comparação entre ferramentas diferentes, somada à confusão entre ferramenta e usuário, conduz a conclusões distorcidas.

A mudança central que computadores trouxeram ao jornalismo foi conectar os profissionais na Redação e, depois, fora delas. As informações passaram a ser compartilhadas em tempo real, flexibilizando as decisões editoriais e os prazos de fechamento.

Era o início tímido da aceleração espantosa que experimentamos hoje na publicação das notícias na era das redes sociais.

Já as redes sociais não representam uma mudança de hardware, mas de software. Na história da comunicação, a transmissão da informação sempre foi unidirecional.

Na revolução digital, as redes sociais subverteram esse fluxo. Leitores não querem mais ser só leitores. Querem também publicar, criticar, influenciar. Substitua leitores por telespectadores, ouvintes, empresas, consumidores, alunos, professores, chefes, funcionários, pais, filhos, torcedores, clubes de futebol e sinta o tamanho da encrenca.

Para ler o artigo completo, clique no site da Folha.

 

Não é mera questão semântica. Quem pensa fazer parte da “mídia convencional” parece ainda acreditar na existência de um “leitor convencional”. Mesmo contra a vontade, a mídia antiga já foi empurrada para a revolução digital pelos seus próprios usuários. É hora de nos desapegarmos dos falsos dilemas e reinventarmos o jornalismo.

MARCELO TAS, 53, é jornalista e apresentador de TV

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Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
  1. Bartolomeu Araujo 17 de agosto de 2013 at 14:41

    “Na revolução digital, as redes sociais subverteram esse fluxo. Leitores não querem mais ser só leitores. Querem também publicar, criticar, influenciar. Substitua leitores por telespectadores, ouvintes, empresas, consumidores, alunos, professores, chefes, funcionários, pais, filhos, torcedores, clubes de futebol e sinta o tamanho da encrenca”

    TAS – sua palavras acima resumem a atual realidade! E aproveitando “o gancho” gostaria de estender esse mesmo problema à Propaganda:
    -Concordo plenamente na rapidez com que tudo está chegando às nossas vidas. Só não concordo ainda com o “nível”.

    Na minha área, por exemplo, (propaganda) a criatividade foi prá o espaço…, e com ela, TAMBÉM as soluções e os conceitos!

    As vezes quando estou na Paulista e vejo grupos de estudantes, “aprendendo a manusear” as suas potentes digitais, fico me perguntando: – Será que eles realmente aprendem (luz, contraste, foco)? Ou se na cabeça deles, depois o photoshop irá dar o “click” final??

    TAS – é sem nenhum ranço e muito menos nostalgia, que faço esses comentários. Por outro lado… caramba!!… como a tecnologia “descomplicou” nossas rotinas!!!…

    É… você tem razão -” Sinta o tamanho da encrenca!”

  2. Sabe Tas, eu acho surreal que em pleno 2013 ainda estejamos tendo esse tipo de discussão. Parece que não acaba nunca! É como tu escreeeveu ali no artigo com muita propriedade. Algumas pessoas se referem às redes sociais como se elas tivessem vida própria. As redes sociais são apenas aquilo que queremos que elas sejam. E a importância e a relevância delas em nossas vidas somos nós quem determinamos. E mais ninguém. Ao contrário do que muita gente pensa, eu acho que nunca se precisou tanto do bom Jornalismo… Bem apurado… De credibilidade… Porque é exatamente esse profissional quem vai ajudar a separar o joio do trigo. Não se faz Jornalismo só na base do control C control V. Isso é outra coisa. O bom jornalista precisa identificar nas diversas ferramentas tecnológicas grandes aliadas do seu trabalho. Só para ilustrar isso que eu to falando dando o meu depoimento pessoal, Tas. Como tu bem sabe, sou deficiente visual, jornalista, trabalho atualmente na maior empresa de comunicação do RS e só estou lá graças a essa verdadeira transformação tecnológica que estamos encarando. É a tecnologia que me permite desenvolver a profissão que escolhi, e pela qual sou apaixonada, mesmo tendo a deficiência visual. Enfim, Tas. Espero que em breve a gente consiga avançar várias casinhas nesse joguinho tão chato que é discutir o indiscutível. Não sei se eu consegui contribuir de alguma forma, mas fica aí minha opinião.

  3. Não tenho seu nohall Tas mas tenho quase sua idade, sei o que é uma maquina de escrever e até entendo como funciona as redes sociais unidirecionadas; o acesso ao “dado” (matéria) se amplia como numa piramide de cima para baixo, já é um novo “jornalismo”, o boca a boca foi ampliado vertiginosamente caro amigo.
    A encrenca foi arrumada . . .
    Abçs; vejo vc na tv há mais de 30 anos.
    Obrigado !
    Heitor Eduardo Apolinario Spinola Silveira

  4. Clóvis Ferreira de Araújo 12 de agosto de 2013 at 14:19

    Nesse atualíssimo e interessante artigo, o Tas mata a cobra e mostra o pau… Uau!!!

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