Blog do Tas

Jornalistas saindo do armário

04 de outubro de 2013, 16:44

Escrito por marcelotas

Francine em “Do Campo À Mesa” (Reprodução/ YouTube)

 

O jornalismo vive uma profunda crise. Não é mais novidade para ninguém, nem para os leigos. Diante da crise, jornalistas assumem duas posturas básicas. Uns buscam entendê-la para estabelecer uma nova comunicação com o seu leitor/ouvinte/telespectador; outros, talvez ainda temendo a perda de poder (para a maioria, um poder que nunca tiveram de fato), continuam com a postura antiga de sempre: cegos, surdos e arrogantes.

Tenho tido, cada vez mais, o prazer de conhecer, trabalhar e trocar informação com o pessoal do primeiro time. Inclusive dentro dos grandes veículos. Sim, as grandes corporações começam a se movimentar, algumas de forma bastante consistente, mesmo que lenta para o tamanho das demandas.

Francine Lima é uma mocinha que malha pesado, usa bike como meio de transporte e escreve há mais de uma década sobre nutrição, fitness e saúde. Já foi repórter e colunista da revista Época, colaborou com publicações diversas e escreveu livros sob encomenda. Hoje faz mestrado em nutrição em saúde pública na USP e tem como objetivo praticar um jornalismo de saúde “investigativo, científico e crítico”.

Há poucos meses, abriu um canal no YouTube e uma página pública no Facebook. “Do Campo À Mesa” é o lugar onde a jornalista cultiva uma nova máxima sobre a alimentação: “Você é o que você sabe sobre o que come”.

Pesquisa recente da University of Massachusetts, em Boston, confirma o crescimento do interesse por uma alimentação saudável entre os jovens nos últimos 10 anos. Quanto ao interesse do público, não tenho dúvida da boa pontaria de iniciativas como a de Francine.

Nos vídeos, como nesse abaixo sobre chocolate, a jornalista que se iniciou na mídia impressa, começa a encontrar uma linguagem própria. Não entendo por quê, numa emissão de caráter tão independente e transparente, a Francine optou por cobrir as marcas dos produtos. No Brasil, é comum o jornalismo esconder marcas. Na maioria dos casos, além de desnecessário, esconder marcas revela apenas a nossa profunda jequice e capitalismo em estado primitivo. Creio que com bom senso crítico ela vai superar isso. Assim como acredito que, aos poucos, a questão do visual e ritmo dos seus podcasts encontrarão um aperfeiçoamento, como sugerem as animações simples que ela usa desenhando gráficos ou letterings sobre um caderninho.

Como consumidor e comunicador, vou ficar de olho no que a Francine tem para me dizer sobre como a agricultura, a indústria, o varejo e o governo podem ajudar ou atrapalhar na hora de me alimentar direito.

Se você conhece outros jornalistas que estão se reinventando na rede, compartilhe! E boa sorte para a Francine!


Video: “Amargo é Melhor que Doce”

 

  1. tas, apenas para esclarecer, sou advogada e a Francine tem 100% de razão ao justificar a não publicação dos rotulos com receio de ações judiciais. Isto porque primitivo e jeca é o brasileiro e seus sistema judiciário e legislativo que permite, a quem ludibria o consumidor , ajuizar ações judiciais e muitas vezes sair vencedor. Nos EUA por exemplo, se o produto ludibrias o consumidor, quem deverá ser condenado a repor os danos é o responsável pelo produto. Ao contrário do Consumidor brasileiro, que vive neste país primitivo em que tudo é inverso…Taí a explicação.

  2. Muito obrigada pela análise, caro Tas.

    Aproveito para explicar minha decisão de omitir as marcas nos vídeos. Tenho duas razões fortes para isso:

    1. Me precaver contra eventuais intenções da indústria de alimentos de me processar judicialmente ao sentir-se de algum modo prejudicada. Sabemos que a Justiça às vezes comete injustiças contra jornalistas bem intencionados.
    2. Incentivar que o público vá ler os rótulos e descobrir sozinho quais produtos valem e não valem a pena, como bem observou o Jean Ricardo aí. Essa atitude de pesquisar sempre vale mais do que enfiar na cabeça que tal marca é a melhor ou pior e não perceber que os produtos e as marcas mudam a todo momento.

    Quanto à linguagem e aos recursos, espero melhorar com a prática.

    Boas compras!

    Francine

  3. Tas, não tenho certeza de que seja isso, mas acredito que o principal motivo da vlogeira esconder as marcas e rótulos dos produtos deve-se ao fato de querer se proteger de uma futura retaliação, já que a justiça do nosso país julga com velocidade invejável recursos impetrados por grandes corporações, caso os comentários emitidos pela Francine nos vídeos não estejam de acordo com o que os donos da marca querem, aí eles acionam seus deptos jurídicos pelo uso indevido de imagem, sem a devida autorização do possuidor da marca.

  4. Adorei!
    Eu q ñ sou depende de açúcar , e amo td q é saudável, vou ficar de olho.
    Este chocolate q é 85, já consumo e gosto muito.
    Parabéns Francine.

  5. Eu já acompanho Francine pelo youtube. Acho o canal bem prático, sem muita pirotecnia e efeitos especiais. O que vale, é a informação.

    Eu acho interessante que ela não é uma “agente de uma determinada marca” que taca fogo na concorrência e termina o vídeo “mostrando” que o tal produto é bom, ou qual ela recomenda… Percebo que ela quer que deixemos a comodidade e pesquisemos mais sobre o que comemos.

    Capto essa mensagem, quando assisto aos vídeos.

  6. Amei!
    Entendi porque que sou o que sei sobre o que eu como!

  7. Amei, isso que eu sempre quis!

  8. Curti muito as informações. Boa sorte pra Francine.

  9. Jornalismo acadêmico , aí sim !

  10. Tas…a crise no jornalismo acontece porque antes da era da internet, o editor é quem decidia qual notícia iria para a publicação. Acho que o poder estava aí. Hoje a história mudou. Já não é mais ele quem comanda a pauta e sim a web.

    • Bem colocado, Tiago…Em certas ocasiões, a imprensa nos trata como imbecis, imaginando que não entendemos o que foi dito, ou pior, tentando nos induzir ao erro de pensamento. Hoje, identificar uma matéria paga, publicada pelo recebimento de alguma vantagem, é mais fácil do que no foi passado. O leitor/telespectador/ouvinte já não é mais bobo. Só os cegos, surdos e arrogantes que o Tas mencionou acima é que pensam assim

      Acredito que um jornalista que aceita emitir uma opinião que não é a dele, motivado pelo dinheiro, é tão nocivo a sociedade quanto um político corrupto. Talvez até mais.

      Mas, como ouvi esses dias de alguém: “O que move o mundo é o interesse”.

      Abraços

    • Marcelo..concordo com vc.Acrescentaria tb a partidarização da imprensa,bem como a ausencia de pluralidade de pensamento para o descrédito da imprensa empresarial.
      Ao se comportar como linha auxiliar da direita partidarizada, às vezes até de oposição principal mesmo, as empresas de comunicação se descolaram da realidade da maioria da população brasileira, transformando opinião publicada em opinião pública.

    • Marcelo, eu acrescentaria a partidarização da mídia empresarial, que confunde opinião pública com opinião publicada.
      A falta de pluralismo político, a editorialização das reportagens, bem como a impossibilidade dos jornalistas trabalharem com autonomia poderiam explicar tb o fato das vendas de revistas e jornais e a audiência nas tvs minguarem.
      Não concordo com a ideia de que seja apenas uma questão tecnológica, ams sobretudo ética!

    • a web acredito que não, estive recentemente no pacaembú para assistir a uma partida do corinthians na área VIP que fica exatamente onde ficam as cameras de tv. na parte de baixo da tv, pegaram uma ala com mais ou menos uns 30 “jornalistas” da web , portais e talvez até blogs.
      fiquei admirado do visual desses “jornalistas”. emitindo opiniões que vemos nos portais nas seções de comentários.
      acho que o jornal de papel folha de sao paulo , o estadão tendem a acabarem a não ser que comecem a distruição gratuíta e mesmo assim prefiro o meu i pad do que ler um jornal de papel.
      muitos jornalistas e fotógrafos tem sido demitidos por isso, o posicionamento de alguns jornais como a folha de são paulo beira ao ridículo em afrontar uma nação de mais de 33 milhões de torcedores ao querer batizar o futuro estádio do corinthians de um apelido jocoso ou por paixão ou por soberba.
      isso é só um exemplo mas continua pela politica pelo sexo e até pelos hoje os famosos.

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