Blog do Tas

Brasil: liderança animal e vergonhosa

28 de fevereiro de 2014, 10:10

Escrito por marcelotas

Cordão Boi Tatá, no Rio de Janeiro (foto: Guia Mais)

 

O Brasil se orgulha de ter a festa mais libertária do planeta, que é o Carnaval. Também a maior parada do orgulho gay em São Paulo. Há entretanto outros números relacionados à sexualidade que precisamos encarar.

Ontem, a Comissão de Direitos Humanos da OEA- Organização dos Estados Americanos- publicou um estudo que revela uma realidade alarmante na América Latina em geral e no Brasil em particular.

Revela um nível de violência brutal contra pessoas única e exclusivamente em razão de sua orientação sexual. Mais, a violência também se evidencia contra instituições que defendam essas pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersex (também conhecidas pela sigla LGBTI).

Respire fundo e encare os números de homens gays e mulheres trans assassinadas nos últimos quatro meses (final de 2013 e início de 2014) nos países monitorados pela OEA, alinhados abaixo em ordem alfabética.

Das 58 mulheres assassinadas: Argentina (2), Belice (1), Brasil (39), Chile (1), Colombia (2), Honduras (1), Jamaica (1), México (3), Perú (2), Estados Unidos (2), Uruguay (1) e Venezuela (3).

Dos pelo menos 58 homens assassinados: Brasil (50), Chile (3), Cuba (1), Honduras (1), México (2) e Perú (1).

Os números falam e os fatos gritam no nosso pais. Que a folia bem-vinda de Carnaval não sirva para aprofundar esse diagnóstico macabro que nos coloca num nível absolutamente alarmante de intolerância, ignorância e animalidade. Com a devida desculpas aos animais.

Paz e alegria na mente e no carnaval a todos!

 

PS: para mais informações, veja o informe no site da OEA

 

Cordão Boi Tatá, no Rio de Janeiro (foto: Guito Moreto)

 

  1. Sei que a conversa é em decorrência do assassinato de pessoas gays, porém qual é a estatística para garotas de programa? Eu sei que com o aumento do moralismo pelo país, cresce a discriminação em torno da prostituição.

  2. Elton Carlos dos Santos 28 de fevereiro de 2014 at 15:23

    Eu espero que rivalidade de travesti, em brigas por ocupação de pontos de prostituição, e homens que não pagam por programas feitos com travestis e garotos de programação, e que acabam em tragédias, não sejam rotulados como Homofobia.

    Também quero acreditar, que brigas de casais homossexuais, que terminam em suicídio, ou assassinato, não sejam taxados como homofobia. Alias Maria do Rosário do PT, deu uma declaração ridícula, mas demonstrou como o Partido dela, pensa sobre isso. Quando ele disse que “lamenta por não poder lamentar”, a morte do homossexual, quando descobriu que a morte foi por suicídio, e não por assassinato, isso em janeiro de 2014..

    Não acredito nesses dados, quando se vai analisar tem incoerências, e vendem isso como se o Brasil, fosse um país que tem ódio por homossexuais, e não é verdade, não é essa a realidade! E tem mais, não dizem que por aqui, NO BRASIL, morrem 50.000 por assassinato(Supostamente Heterossexuais).

    São 50.000 assassinatos por ano! Analisando esse número, a chance de um homossexual morrem, por que é homossexual, é muito menor!

    • Caro Marcelo Tas. Costumo admirar algumas posições suas mas neste caso, desculpe-me. É impossível concordar contigo.
      Tenho uma pergunta:
      Existe Assassinato aceitável ?
      Espero sinceramente que sua resposta seja não.
      Oras, se não existe assassinato aceitável, por que razão deveríamos querer uma lei para tratar de forma diferente alguns deles?
      Querer uma lei específica para tratar da morte de gays, é privilegiar uma classe com direitos que outras não tem. Ou um gay assassinado por estar travestido e incomodar algum boçal é diferente do não-gay assassinado porque outro boçal que queria o seu carro, carteira ou celular?
      Ambas as mortes são inaceitáveis e para as duas a lei já garante todos os mecanismos para punição do responsável.
      Na situação do gay que mencionei, o crime seria injúria e homicídio doloso por motivo banal.
      No caso do não gay, o crime seria latrocínio. Talvez haja até mais delitos incluídos nas duas situações, como não sou especialista em lei, tenho certeza de no mínimo esses dois.
      As leis existem, a aplicação delas deve ser o motivo de nossa revolta.
      Vivemos em um país que não investe em um sistema prisional decente, até onde eu sei não há metas para o judiciário e a burocracia emperra a investigação e conclusão de crimes que acabam caducando antes de serem solucionados.
      Mas enfim ouvir você dizer que só 90 mortes em um universo de 16666 são inaceitáveis, me incomoda muito também.

    • David, creio que voce nao interpretou bem o que escrevi. Nao peço lei alguma. Só a consciência da ignorância que leva ao preconceito e a violência. Tente ler novamente com a mente mais tranquila.

    • Elton Carlos dos Santos 1 de março de 2014 at 0:00

      Raciocínio “fora de foco”?
      Você quer acreditar que realmente o problema do Brasil é Homofobia? Ou melhor que supostamente existe homofobia no Brasil?

      Olha senhor Marcelo Tas, quero na verdade extrair uma visão mais coerente e racional, do nosso país.

      Morrem aproximadamente 300 homossexuais(em situações questionáveis). Hipoteticamente, alguém que foi assassinado,por exemplo num crime de latrocínio, e depois se descobre que a vítima é Homossexual, e então o caso passa a ser classificado como Homofobia. Acho que isso não faz sentido nenhum! Parece loucura, mas esse questionamento já foi feito, e não houve uma resposta plausível.

      Agora são assassinadas 50 mil pessoas por ano. Morrem mais gente no Brasil em tempos de paz, do que Iraque e Afeganistão juntos, em tempos de guerra. E todos conhecemos os níveis de violência e insegurança do Brasil. E mesmo assim esse número é insignificante ao confrontarmos com o número de casos de mortes de homossexuais?

      Quer dizer, nada do que se diga, ou comprove com números, será tão maior que a causa Gay, porque a OEA, publicou esses dados! Mesmo sabendo que os dados são questionáveis, ou requerem uma analise maior.

      Senhor Tas, por favor, sou contra a violência a qualquer tipo de pessoa, não importa religião, visão politica, ou mesmo opção sexual. Agora acreditar religiosamente, que existe uma perseguição aos gays no Brasil, é absurdo!

      A tempos no Brasil, estão usando isso, para forçar o Congresso Nacional, a aprovar aquela lei rotulada de “Anti-Homofobia”, a PL-122, que na pratica não é isso, a não ser forçar as pessoas as pessoas a aceitarem esse “comportamento” a força, colocando assim de qualquer coisa, até mesmo da crença pessoal. Lei que sendo aprovada, vai se por a frente até mesmo da constituição federal.

      Faça como a opinião do David Marques, nesse Blog mesmo, é a melhor opinião que li.

    • Elton, a sua contabilidade induz a um raciocínio absolutamente fora de foco. As pessoas da estatística da OEA são assassinadas simplesmente por serem LGBTI. É como voce ser assassinado porque tem um nome que começa com a letra E. Absolutamente inaceitável.

  3. Sem querer justificar violência alguma.
    Mas..
    Há que se pensar bem antes de ceder aos apelos de coitadismos de qualquer classe que seja.
    Pensemos. Há alguma evidência factual e registro do motivo dos homicídios para se ter certeza que aconteceram pela sexualidade?
    Veja bem.
    No Brasil, morrem mais de 50000 pessoas assassinadas por ano. Há outra pesquisa que afirma que mais de 8000 homicídios não são registrado como se deve, ficando a morte atribuída a outras causas. Logo este numero anual de assassinados seria de 58000.
    Mas vamos trabalhar com os dados oficiais. 50000 pessoas.
    A comunidade LGBT (e quais letras mais surgirem) diz representar 10% da população brasileira.
    Em 4 meses, o total de mortes no país é de aproximadamente ( 50000/12(meses)*4(Meses)) 16666 pessoas.
    Arredondemos para 16 Mil.
    Pois bem.
    10% de Dezesseis mil = 1600 pessoas.
    O total de mortes em sua pesquisa é de Aproximadamente 90 pessoas.
    90 pessoas são pouco mais de 5% do numero de mortes de possíveis homossexuais.
    Logo, Se a OEA está reclamando apenas 0,0056% como mortos por serem gays. Abuso mesmo estão sofrendo os não gays. que levando em consideração estes números são 99,9944% dos mortos.
    Sabe, o problema está nessa inclusão às avessas que tenta dividir as pessoas.
    Pra que querer contar os assassinados como gays, não gays, brancos, amarelos, negros, pobres ricos?
    O que precisa revoltar a população é que 50000 Brasileiros morrem ao ano. Quantos casos são investigados e concluídos? em quanto tempo? Quem é preso? como a segurança pública melhora para combater estas mortes?
    Isso deve ser motivo de revolta e não que entre os mortos, alguns eram negros, outros índios, outros advogados, jornalistas… Etc.
    Todos esses mortos eram BRASILEIROS. E portanto IGUAIS.

    • Diego Rafael Alves 1 de março de 2014 at 4:07

      Assino em baixo!Está nos aí pra quem quiser saber a verdade!Morrem mais nãos-gays
      sindrome do coitadismo..

  4. INFELIZMENTE A DURA REALIDADE É QUE MAIS DE 75% DESTES CRIMES SÃO DE NATUREZA PASSIONAL.

  5. Elton Carlos dos Santos 28 de fevereiro de 2014 at 12:50

    Eu espero que rivalidade de travesti, em brigas por ocupação de pontos de prostituição, e homens que não pagam por programas feitos com travestis e garotos de programação, e que acabam em tragédias, não sejam rotulados como Homófobia.

    Também quero acreditar, que brigas de casais homossexuais, que terminam em suícido, ou assassinato, não sejam taxados como homofobia. Alías Maria do Rosário do PT, deu uma declaração ridícula, mas demonstrou como o Partido dela, pensa sobre isso.(http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/maria-do-rosario/).
    (http://joselitomuller.wordpress.com/2014/01/21/maria-do-rosario-lamenta-nao-poder-lamentar-que-jovem-tenha-sido-espancado/).

    Não acredito nesses dados, quando se vai analisar tem incoerencias, e vendem isso como se o Brasil, fosse um país que tem ódio por homossexuais, e não é verdade, não é essa a realidade! E tem mais, não dizem que por aqui, NO BRASIL, morrem 50.000 por assassinato(Supostamente Heterossexuais).

    São 50.000 assassinatos por ano! Analisando esse número, a chance de um homossexual morrem, por que é homossexual, é muito menor!

    [Midia Sem Mascara]
    http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/10992-a-mentira-que-ganhou-asilo.html

    [Rede Globo]
    http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/08/numeros-oficiais-de-homicidios-deixam-de-registrar-86-mil-assassinatos-por-ano.html

    [BBC ]
    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111214_mapaviolencia_pai.shtml

  6. Uma triste realidade, Tas.

    Veja como andam as coisas em Brasília:

    “A polícia prendeu, nesta quinta-feira (26/2), Wilian Alves do Carmo, 26 anos, suspeito de ter espancado duas mulheres que saíam de um restaurante no Setor Comercial Sul.

    O rapaz teria feito ofensas homofóbicas às mulheres enquanto elas almoçavam. Em seguida, ele as perseguiu e as espancou. 26/02 ”

    “Quatro mulheres são agredidas na saída de um café na Asa Norte Segundo uma testemunha, vítimas alegam se tratar de um caso de homofobia; o caso foi registrado na Deam como lesão corporal, rixa, injúria e ameaça (28/02)”

    Vivo em um país onde tenho medo de ser a próxima vítima.

  7. Tas, nem de longe quero parecer a favor da violência contra qualquer pessoa. Se um único homossexual foi assassinado em razão da sua sexualidade, acho que devemos combater isso ao máximo.
    Apesar disso, é preciso que a pesquisa seja séria e não forneça números confusos. Essas pessoas pertencentes a um desses gêneros LGBTI (não sei bem como qualificá-las) foram assassinadas em razão da sua sexualidade, ou foram simplesmente porque no Brasil muita gente morre?
    Aliás, com um índice baixíssimo de resolução dos casos pela polícia, como temos certeza da motivação dos crimes.
    Além disso, é preciso considerar que a população do Brasil é 201 milhões de habitantes contra 21 milhões da Venezuela, por exemplo. Assim, os números precisam ser considerados relativamente e não em absoluto, para que se tenha uma comparação justa.
    Com todo respeito, para mim, não é preciso usar dados duvidosos para defender a vida e a liberdade das pessoas.

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