Blog do Tas

Como entender a História do Brasil no primeiro de Abril?

01 de abril de 2014, 13:15

Escrito por marcelotas

O general na praia (foto: Orlando Brito)

 

Não à toa, um dos nós dramáticos da História deste pais maluco é marcado pela dúvida: o Golpe Militar se deu no dia 31 de Março ou no dia primeiro de Abril? Se o cidadão chama o acontecimento histórico de Golpe, é primeiro de Abril; se for de “Revolução”, a própria teria caído no dia 31 de Março.

O Golpe Militar, acontecido 50 anos atrás, merece e ainda deverá ser motivo de debate mais aprofundado. O clima atual, binário, fundamentalista, de briga de torcida, não ajuda em nada o entendimento da História do Brasil. Para dificultar o entendimento, os ruídos são turbinados pelo fato de estamos em plena campanha eleitoral para Presidente. Qualquer opinião, ou mesmo um simples quadro de humor como alguns que temos no CQC, imediatamente é carimbado como “a favor” ou “contra” o governo, um partido ou alguém. Quanta perda de tempo, crianças…

A História do Brasil merece um olhar maduro, que seja ao mesmo tempo sereno, ousado e criativo como o do fotógrafo Orlando Brito (acima). A foto do General Geisel, então presidente da bagaça, caminhando por uma praia do litoral verde-amarelo numa inédita sunga é contextualizada abaixo por um texto do próprio fotógrafo.

Parabéns, meu caro Orlando, por manter este olhar precioso sobre a nossa História ao longo dessas últimas décadas trepidantes.

 

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Orlando Brito (do Facebook do fotógrafo)

 

Fotografia é História

A descontração do general

O general Ernesto Geisel, falecido em setembro de 1996, chegou à Presidência da República com a fama que sempre teve: a de durão. Era homem avesso às brincadeiras, pilhérias, piadas e chistes. De poucas palavras, ouvia mais que falava. Ao suceder o general Garrastazú Médici no Palácio do Planalto, demitiu os acusados da morte do jornalista Wladimir Herzog, em São Paulo.

Tinha o propósito de promover a chamada abertura política. E deu uma surpreendente demonstração visual desse propósito deixando de lado sua antipatia à descontração. Durante uma viagem a Natal, no Rio Grande Norte, o rigoroso Ernesto Geisel caminhou tranquilamente de pela Praia dos Artistas, em frente ao Hotel dos Reis Magos, vestindo nada mais que um short de banho.

Trabalhando no jornal O Globo, eu era o fotógrafo designado para a cobertura da Presidência da República. Da mesma forma que os colegas de outros jornais, viajávamos a qualquer hora para todos os lugares. Essa visita de Geisel ao Rio Grande do Norte foi inesperada, e não tivemos tempo de providenciar reservas de hotel. Por isto, tive que pegar “carona” no quarto de colegas de outros jornais, os concorrentes, mas não inimigos. O quarto era pequeno e só me coube dormir num cantinho junto à janela, que dava frente para a praia.

Às seis da manhã, fui acordado por um dos “donos” do apartamento assustado com o que estava vendo: o general, vestindo de short, caminhando na praia. Inexplicavelmente, nenhum deles teve a iniciativa de retratar o momento tão raro e simbólico. Não tive dúvida. Coloquei uma teleobjetiva de 300 milímetros na minha inseparável Nikon e rodei dois rolos de filmes, sem sair de onde estava, no cantinho do quarto, junto à janela.

Relatei o fato ao meu companheiro de equipe, Merval Pereira. Ficamos com receio de – como estávamos vivendo ainda os tempos da censura à imprensa – ter as fotos tomadas pelos seguranças. Por volta das sete e meia, estávamos no café da manhã no térreo do hotel, e o secretário de Imprensa do presidente, Humberto Barreto, veio ao nosso encontro. Tememos que fosse reclamar das fotos que eu fizera.

Que nada. O que ouvimos de Humberto foi algo bem diferente. O passeio matinal aconteceu por pura intenção. Geisel sinalizava que se despia da farda para indicar rumos mais amenos para o futuro.

  1. Minha admiração ao fato,é o que fazer daqui para frente,não sei porque o exército estagnado com a situação cheia de problemas sérios ,só se manifesta em casos excêntricos,o povo querendo demonstrar insatisfação não conhece meios de manifestações a não ser o que está aí, a mídia ,(sensacionalista que é!)tenta passar uma transparência assistida.

    Se recorrer-mos aos fatos concretos em todos os setores da sociedade ,veremos que a nossa identidade é de fato pluralista,nosso território é sem sombra de dúvidas o esteio do mundo inteiro,para se ter uma idéia, o nosso código penal é da década de 40 sob inspiração européia…,

    Existe uma frase em voga , quero usá-la aqui ; “ESTOU CONVENCIDO ” QUE A SITUAÇÃO VAI MELHORAR!! ABÇS A TODOS!

  2. Não vamos nos esquecer que Geisel foi ministro do Superior Tribunal Militar do Costa e Silva e braço direito do Médici, durante os períodos mais duros da Ditadura Militar. Nenhuma foto descontraída apaga o passado nebuloso. Seu governo até pode ter sido mais suave do que os antecessores, mas ainda assim foi uma Ditadura.

  3. Tecnicamente o golpe foi efetuado na madrugada do dia 2 de abril quando os deputados em convocação extraordinária declararam a vacância na presidência da república e em seguida empossado o presidente da câmara como presidente interino.

  4. Estamos passando da hora de ter História real ensinada em nossas escolas! Chega de Cabral, D.Pedro e etc. Vamos ao que interessa! Deixem nossos jovens aprenderem o real significado de Cidadão e Patriota…

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